Motivação e hipóteses sobre a natureza humana

*adaptado do livro “Psicologia Organizacional” (Edgar Schein)

Uma importante explicação para a variação que observamos no comportamento humano é a de que esse comportamento só em parte é determinado pelas necessidades ou pelos motivos internos que trazemos conosco como membros de uma espécie biológica. Um fator de muito maior peso naquilo que fazemos são nossos motivos e respostas aprendidos, que são reflexos de nossa cultura, de nossa situação familiar, de nossos antecedentes sócio-econômicos e das forças do aqui-e-agora que atuam dentro de qualquer situação de vida. Em outras palavras, nossos motivos e necessidades são influenciados, em grande parte, por nossa forma de perceber e por aquilo que percebemos da situação em que nos encontramos, e essas percepções são, elas próprias, grandemente influenciadas pela aprendizagem prévia.

A possibilidade de o dinheiro constituir ou não uma motivação depende muito da percepção da necessidade de mais ou menos dinheiro, e essa percepção depende do modo como a pessoa relaciona sua situação sócio-econômica com a de outras pessoas com as quais se identifica, pessoas que representam seu “grupo de referência”. Isso significa que ainda que possam começar com tendências biológicas e genéticas semelhantes, os seres humanos desenvolvem padrões de necessidades, motivos, talentos, atitudes e valores diferentes que refletem a particular criação e a particular situação sócio-cultural em que se encontram.

Os seres humanos, numa determinada situação, sempre agem de acordo com o significado que para eles tem essa situação, significado que é definido pelo conjunto de percepções dessa situação, pelas hipóteses referentes a essa situação e pelas expectativas em relação a essa mesma situação. Nunca agimos num vácuo social.

Quando ingressamos em situações novas – por exemplo, quando assumimos uma nova função ou quando ingressamos numa nova organização – o processo de socialização pode ser definido, em parte, como ser ensinado a aprender a definir ou pensar acerca de determinada subcategoria dessa situação – o que fazer em presença do patrão, com que grau de interesse trabalhar horas extras, e assim por diante.

Para compreendermos o que uma pessoa está fazendo numa determinada situação e por que ela assim age, precisamos procurar entender como essa pessoa define a situação.

Apesar da natureza humana não ser fixa e baseada em um conjunto único de motivos, há uma coerência no modo como as pessoas se comportam. Essa coerência provavelmente deriva das perspectivas comuns que adotamos no decorrer de nossas experiências ao nos socializarmos numa cultura, numa família, numa camada sócio-econômica, numa comunidade e, em última instância, numa função dentro de uma organização.

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Um comentário sobre “Motivação e hipóteses sobre a natureza humana

  1. Uma outra hipótese que pode ser levantada é que alguns “seres” em posição de liderança acaba exercendo o poder através da força, isolando-se em parte do convívio social e tornando-se um mebro eqüidistante do centro de conflito. Diga-se de passagem que comportamentos muito próximos a algumas estratégias militares.

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