O peso morto nas organizações

*trecho extraído e adaptado do livro “How to solve the mismanagement crisis: diagnosis and treatment of management problems”

O profissional peso morto é apático. Espera que lhe digam o que fazer. Não produz, não administra, não provoca centelhas como faz o incendiário empreendedor e não se envolve nas intrigas do poder. Se tem alguma boa idéia ou opinião a respeito de outros, guarda-a para si.

O peso morto preocupa-se, acima de tudo, em como sobreviver até a aposentadoria. Sua meta é manter intacto o pequenino mundo que criou. Se tem tempo livre, procura sucessos cujo crédito possa assumir. A mudança é uma ameaça para ele. Sabe que qualquer mudança põe em perigo sua posição. A fim de maximizar suas possibilidades de sobrevivência, resiste à mudança, atribui os sucessos a si próprio e evita iniciar qualquer coisa de novo (tarefas, projetos, etc).

As práticas de recrutamento do peso morto refletem esta estratégia de sobrevivência. Prefere os subordinados menos brilhantes, até mesmo a ponto de promover os que produzem menos que ele. Assim, o maior perigo causado pelo peso morto é o de que outros pesos mortos se acumulem abaixo dele. Quaisquer subordinados que queiram crescer e desenvolver-se são completamente frustrados por um gerente peso morto. Quando eles saem, os que permanecem na organização tornam-se pesos mortos. Desta maneira, um gerente peso morto pode criar um desequilíbrio fatal na organização.

O peso morto não tem queixas. entende que qualquer queixa refletiria sobre ele, por isso diz sempre: “Está tudo correndo bem; estamos progredindo excelentemente”. Nesse meio tempo, a companhia pode estar indo à falência. Treina suas habilidades, mas não de coração. Por isso, faz apenas os movimentos, como se estivesse treinando. Tem medo de conflitos, que podem significar mudança. Assim, tenta encobri-los explicando que se trata apenas de mal-entendidos.

Planejar, organizar e controlar são apenas palavras para o peso morto. Significam mais trabalho. Como não produz, não implementa, não empreende e não integra as pessoas, o processo gerencial é para ele mero ritual. Representa-o religiosamente, mas apenas para garantir a sobrevivência pessoal.

A certa altura, o peso morto pode ter sido qualquer um dos outros anti-gerentes, e ainda revelará aquilo que um dia foram os traços dominantes de sua personalidade. Pode-se ver nele, de vez em quando, traços de um empreendedor incendiário ou do meticuloso burocrata que foi. Mas, na altura em que se tornou peso morto, sua principal característica é o metabolismo baixo. Fuma ou bebe muito. Tosse, resmunga e aprova com a cabeça, confidencia como está bem ou como se saiu bem no passado, ou como se sairia bem no futuro, mas todos sentem que não podem esperar muito dele.

Todavia, é uma pessoa muito agradável, amistosa e inofensiva. É estimado, mais ou menos como se estima um tio velho e camarada; mas não é respeitado. O pessoal o tolera e não quer magoá-lo. Enquanto isso, a organização sofre.

O peso morto furta-se a tomar decisões e faz com que outros escolham as tarefas e metas a serem cumpridas. Se possível, escolhe tarefas quando as metas já estão estabelecidas e são relativamente fáceis de realizar. Tem baixa capacidade para a crítica ou humilhação e gasta muita energia procurando evitar dificuldades.

A organização dirigida por um peso morto tende a encolher, pois em vez de adaptar-se às exigências situacionais, ele as ignora, perdendo assim o contato com o mundo exterior. O pior que pode acontecer é existir um peso morto na cúpula de uma organização, isso significa que toda a organização está morrendo. Embora essa gerência tente às vezes disfarçar-se como conservadora, de fato está moribunda. Pode ser um velho executivo cansado, que não queira trabalhar nem produzir. Não quer mais saber de mudanças, está contente com o que já fez no passado.

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5 comentários sobre “O peso morto nas organizações

  1. É um problema muito recorrente

    O cuidado em identificar pontos críticos no novo modelo estrutural aqui preconizado promove a alavancagem do sistema de participação geral. No entanto, não podemos esquecer que o início da atividade geral

    Muito bom, parabéns

    Responder
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