As premissas orientam o comportamento

*trecho extraído e adaptado do livro “The new managerial grid” (Blake & Mouton)

Ao abordar uma dada situação, o gerente não atua conforme a realidade objetiva, mas conforme sua percepção subjetiva dessa situação. Esses dois aspectos podem ser muito semelhantes ou, pelo contrário, muito diferentes.

As premissas com base nas quais uma pessoa age podem ou não fundamentar-se no que foi repetida e objetivamente demonstrado que é mais valido. Sejam quais forem, essas premissas fazem parte das crenças e atitudes dos gerentes. Cada gerente tende a reagir às circunstâncias concretas à luz de suas premissas, pois essas controlam sua percepção da própria experiência. Constituem sua teoria pessoal de comportamento, a qual orienta esse comportamento. A pessoa age partindo da premissa de que a suposição “A” produzirá o efeito “B”.

Por exemplo, um gerente é de opinião que as pessoas são preguiçosas. Se ele observa várias pessoas afrouxando no trabalho, isso confirma sua teoria, de forma que ele toma providências para pressionar os preguiçosos. Eles se ressentem disso e afrouxam ainda mais. A premissa do gerente é de novo comprovada, e ele redobra a pressão tanto sobre os preguiçosos como sobre os demais.

A verdade é que nossas premissas organizam nossos relacionamentos e nossas forma de trabalhar. Se nossa premissa é compartilhada pelos que nos rodeiam, para todos os efeitos ela se torna algo de “absoluto”, um verdadeiro artigo de fé. Torna-se a base da ação, não admitindo questionamento ou exceção. As outras possíveis premissas ou são completamente ignoradas ou sua validade é testada em confrontação com “o absoluto”. Dessa forma, o absoluto elimina qualquer curso de ação que não seja compatível com ele.

Sendo assim, como mudar as premissas, uma vez que elas são tão importantes no controle do próprio comportamento?

Na maioria das vezes, as premissas que sustentam nosso comportamento, embora aninhadas dentro de nós, estão fora de nossa consciência. A consequência é que, às vezes, nossa cegueira a respeito dos verdadeiros motivos que nos leva a agir desta ou daquela forma é tão grande quanto a ilusão dos outros ao tentarem explicar nossas ações a partir do ponto de vista deles. Sem experiências novas que consigam desafiar nossas premissas, não seríamos capazes de identificá-las mesmo se o quiséssemos. Se vivermos experiências novas e se recebermos feedback dos outros a respeito das premissas que eles vêem por debaixo das nossas ações, então haverá possibilidade de mudança.

Quando nos conscientizarmos da profundidade e da natureza de nossas premissas, poderemos analisá-las e identificar a qualidade das ações que nelas se fundamentam. Poderemos considerar premissas alternativas que constituam uma base mais válida para nossas ações, e exercitar-nos em aplicá-las ao nosso trabalho com outras pessoas, até que se tornem características nossas. A pessoa tem, portanto, capacidade de mudar.

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