Foco no resultado ou nas pessoas?

*o texto abaixo foi baseado no livro “The new managerial grid” (Robert Blake/Jane Mouton)

Dentro de uma organização o que é mais importante? Manter o foco no resultado ou nas pessoas? Em ambos? Um pouco de cada? Nenhum?

Robert Blake e Jane Mouton atacaram esse problema em seu livro “The managerial grid” (na edição brasileira “O grid gerencial”) que apesar de ter sido publicado em 1964 continua extremamente válido até hoje.

De acordo Blake e Mouton diferentes líderes valorizam diferentes combinações dos elementos “resultado” e “pessoas” mas é possível extrair generalizações de cada um de seus extremos, são eles:

  • foco nos resultados: como efeito (ou causa?) sempre existe um baixo nível de confiança na equipe. Havendo a necessidade de se tomar uma decisão entre a equipe ou o resultado da organização sempre é escolhido o segundo em detrimento do primeiro. Foco na dominação e controle. Muitas vezes como recompensa pela submissão paga-se extremamente bem ao profissional como forma de compensação. Profissionais que ocupam cargos de destaque em organizações desse tipo são normalmente irredutíveis e de difícil relacionamento. O grande problema em organizações desse tipo é que os profissionais passam a retaliar a administração, seja através de resistência indireta até aos ressentimentos e à luta direta. O sentimento de impotência que se apodera do subordinado leva ao abandono da organização, o que acarreta em um alto nível de rotatividade. É o estilo “produza ou pereça”.
  • foco nas pessoas: normalmente são organizações dirigidas por pessoas com necessidade de afeto não genuíno (carentes). Para evitar a rejeição o dirigente busca ser solícito, condescendente e maleável. Em uma organização assim dificilmente surgem conflitos, e quando eles ocorrem são prontamente abafados. O resultado é que a organização nunca chega a atingir uma alta produtividade (tanto no curto como no longo prazo) de forma que acaba sendo derrotada por seus concorrentes. Organizações com esse tipo de orientação apenas conseguem se manter em mercados onde a concorrência é extremamente ineficiente ou onde há demanda reprimida (demanda superior à capacidade de oferta das empresas). É o estilo “clube de campo”
  • peso-morto: presente em organizações que não se envolvem emocionalmente com suas tarefas e pessoas, com dificuldades de enfrentar suas próprias imperfeições e incapacidades. Normalmente essas organizações são dirigidas por profissionais de baixa produtividade, perpetuada por tolerância excessiva ou ignorância.Quase sempre a culpa está em algo ou alguém, mas nunca em si próprio.
  • ambiguidade: organizações com dirigentes que buscam ser populares, agradando todos ao mesmo tempo. Busca soluções que agradem a maioria e aplaquem a minoria. Quando é necessário tomar alguma iniciativa o dirigente com essa orientação prefere apoiar-se em tradições e práticas do passado ou no julgamento dos outros. É basicamente um líder “em cima do muro”.
  • foco nas pessoas E resultados: líderes que buscam motivar positivamente através de comprometimento e dedicação. A base do trabalho é o envolvimento, participação e comprometimento das pessoas que têm a ver com a tomada de decisões e a resolução de problemas. Buscam ouvir idéias, opiniões e atitudes diferentes das próprias. O importante é a validade e a qualidade do pensamento, não importando se se originou da própria pessoa ou de outra, ou ainda se emergiu da discussão. Normalmente pessoas com essas características são fruto de uma educação com modelo sistemático, onde possuem autonomia para aprender e apoiar-se no próprio julgamento.
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