Ponto de vista

Se existe algo que podemos aprender com a história do mundo dos negócios é que nenhuma organização perpetua-se para sempre.

A média de vida das empresas cotadas no índice S&P500 que inclui nomes como Exxon, Apple e IBM é de cerca de 25 anos e vem diminuindo. Um dos exemplos mais recentes e emblemáticos disso é a Kodak, empresa que praticamente inventou a fotografia, chegou a deter 90% do mercado e “conseguiu” ver suas ações passarem de US$ 90,00 nos tempos áureos para meros US$ 0,35 atuais. Outros exemplos recentes incluem: General Motors, Chrysler, Enron, etc.

Vale ressaltar que nenhuma dessas grandes empresas que simplesmente faliram, foram absorvidas ou deixaram de existir eram formadas por “aventureiros”. Todas elas possuíam ótimos profissionais, pessoas competentes, capital para investimento, pesquisa, desenvolvimento, marcas reconhecidas, etc. O que aconteceu, na maioria dos casos, é que a capacidade da empresa em mudar/adaptar-se foi inferior à velocidade de mudança do mercado onde estavam inseridas. É uma máxima conhecida há muito tempo: não é o mais forte, o mais rápido ou o maior que sobrevive; é aquele com maior capacidade de adaptar-se que sobrevive.

Outro fato conhecido é que, seja em uma empresa, ou qualquer outro tipo de organização, estamos diariamente sujeitos a um fenômeno chamado entropia: a tendência natural de tudo tender ao caos e à desorganização. A menos que estejamos continuamente corrigindo/aperfeiçoando nossos sistemas, políticas, estratégias, etc, estaremos fadados ao fracasso. A menos que estejamos conscientemente buscando melhorar todos os dias, iremos de mal a pior sem ao menos notar o que aconteceu.

Diariamente repetimos os mesmos erros e não paramos para analisar o que está acontecendo ou tomar providências para que não voltem a ocorrer. Temos o péssimo hábito de tentar corrigir um problema criando um outro problema. Falta-nos paciência para parar de tratar apenas o efeito e buscar a real causa dos problemas.

Por conta da inércia acumulada ao longo de vários anos de funcionamento é necessário paciência e coragem para em algum momento “parar o trem” e transparecer os reais objetivos com relação ao futuro da empresa e tomar as medidas necessárias, literalmente “doa a quem doer”, caso contrário continua-se indefinidamente perdendo dinheiro, tempo, talento, confiança, funcionários, clientes, mercado, paciência, saúde, entusiasmo, etc.

Precisamos ter serenidade suficiente para entender que aquilo que a organização é, representa e precisa hoje não é o mesmo que ela precisava há 5, 10, 20 ou 30 anos atrás. O mercado evolui, novas tecnologias são inseridas, outras deixam de existir, concorrentes surgem, funcionários entram e saem da empresa, a cultura muda, a forma de lidar com clientes muda, a forma de lidar com funcionários muda, as aspirações das pessoas mudam, os problemas mudam, os desafios mudam, a única constante é a mudança. É muito provável que essas mudanças não agradem às pessoas, mas isso não as torna menos necessárias.

Mudar é difícil, mas chega um momento em que não se trata em escolher entre fácil ou difícil, trata-se simplesmente em aceitar que a mudança está intrinsecamente ligada à sobrevivência. Só há realmente crescimento quando as mudanças não encontram resistência.

O dia-a-dia da empresa muitas vezes consome o tempo e energia que teríamos para pensar em questões mais amplas e subjetivas como “o futuro”, mas a menos que algo seja feito hoje o futuro da organização não será em nada diferente do nosso presente e do passado.

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