O gerente que sabia contar até dez

Agora vou solucionar a conjectura de Hodge

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Era uma vez um cavalo chamado Hans. Ele não era um cavalo normal, seu nome na verdade era “Clever Hans” (Hans, o inteligente) pois ele possuia uma habilidade única dentre seus colegas eqüinos: sabia realizar operações matemáticas e outras tarefas intelectuais que nenhum outro cavalo sequer sonharia ser capaz.

Um observador incauto diria que Hans, sendo tão inteligente e único, viria a ser um ótimo matemático. Talvez com um pouco de motivação, muita força de vontade e algumas oportunidades Hans poderia vir a disputar um lugar de destaque entre Arquimedes, Euclides e outros matemáticos notáveis.

O problema é que, como bem disse Samuel Johnson – “Um cavalo que sabe contar até dez é apenas um cavalo notável e não um matemático notável”.

Toda essa história seria mera curiosidade se tal fenômeno fosse restrito aos eqüídeos, mas o problema é que ela diz respeito também às organizações.

Diariamente encontramos pessoas (auto-intituladas líderes, patrões, supervisores, chefes, diretores, gerentes, entre outros) sendo promovidas ou já ocupando posições de destaque nas organizações sem o mínimo de habilidade, e muitas vezes sem capacidade, para desempenharem suas funções corretamente.

Essas pessoas, e também aquelas responsáveis por as terem contratadas ou promovidas, muitas vezes não passam de meros “cavalos notáveis” tentando se fazerem passar por “matemáticos notáveis”.

Quando analisamos a situação à fundo percebemos que essas pessoas, assim como Hans, na verdade não sabem realmente o que estão fazendo, não são brilhantes, únicas, gênios ou prodígios, apenas possuem uma habilidade superficial, reagindo de forma artificial às situações, valendo-se de um repertório limitado de truques e artifícios para impressionar os demais e tendo seu desempenho analisado fora do contexto adequado.

Da mesma forma que Hans, e também seu dono von Osten, essas pessoas não aceitam que seu desempenho seja analisado de forma criteriosa, bem como não conseguem lidar com feedbacks negativos de modo adequado. Quando não conseguem solucionar um problema ou quando são confrontadas elas tendem a reagir negativamente, enfurecidas e ofendidas por terem sido desmascaradas**.

No caso de Hans, mesmo após o artíficio por trás da sua suposta inteligência ter sido descoberto e divulgado pelos cientistas, seu dono continuou exibindo o suposto cavalo prodígio em feiras por toda a Alemanha, atraindo sempre multidões de imbecis que continuavam a acreditar na sua farsa.

Infelizmente é isso que também ocorre nas organizações repletas de “cavalos notáveis”.

Uma vez que uma pessoa sóbria, que não esteja fascinada pela inteligência do “cavalo”, resolve estudar o que se passa e descobre, ou simplesmente insinua, que essa inteligência não passa de uma ilusão, ela é simplesmente desacreditada e passa a ser rechaçada pela tropa de idiotas.

Se você trabalha em uma organização assim torça para que, pelos menos, o seu gerente (ou cavalo) saiba contar até dez.

_____

*após muita pesquisa constatou-se que na verdade Hans não era mais inteligente que um cavalo normal. Suas habilidades na verdade estavam ligadas à “dicas” que seu dono emitia involuntariamente, tornando possível para o cavalo encontrar a resposta dos problemas. Veja o artigo completo da Wikipedia. 

** um dos cientistas designados para estudar a “inteligência” de Hans foi mordido mais de uma vez durante os testes em ocasiões onde o cavalo ficou enfurecido por não ter conseguido acertar a resposta. Não se sabe se o seu dono, von Osten, chegou a morder o cientista também.

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7 comentários sobre “O gerente que sabia contar até dez

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