Mudança nas organizações: uma tarefa de Sísifo?

Mudança nas organizações: uma tarefa de Sísifo?

Dessa vez acho que vai dar certo!

Sísifo é um personagem da mitologia grega conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo, condenado por toda a eternidade a rolar uma pedra de mármore com suas mãos até o topo de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo a pedra novamente rolava montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível (basicamente uma tarefa que envolve esforços inúteis).

Com certeza Sísifo gostaria de realizar algumas mudanças em seu trabalho.

Se você realizar uma busca pela palavra “change” (mudança) na Amazon você será agraciado com mais de 16.000 resultados apenas na seção de livros de negócios, prova de que muita gente deve estar insatisfeita com a condição atual de suas organizações e está buscando uma forma de resolver a situação.

O grande problema com a maioria desses títulos é que todos eles partem de uma mesma premissa: a de que é possível realizar a mudança, basta apenas conhecer as técnicas para faze-la acontecer da melhor maneira possível. Mas, e se eles estiverem errados? E se a mudança na verdade não for possível? E se tudo não passar de uma utopia?

De acordo com o sociologista Zygmunt Bauman uma utopia surge do encontro de duas condições; a primeira é a sensação de que o mundo (no caso a organização) não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos; a segunda é que existem pessoas com capacidade suficiente para promover a reforma desses fundamentos e adequar o mundo ao ideal em questão.

Ou seja, a partir do momento em que vislumbra-se uma nova realidade e existe a crença de que essa nova realidade é atingível cria-se a utopia da mudança – uma idéia nobre, porém impraticável. Não é por acaso que a palavra “utopia” traduzida do grego significa literalmente “o não lugar” ou “lugar que não existe”.

Para que haja a possibilidade de se realizar uma mudança é necessário em primeiro lugar que o responsável pela organização saiba que ela não está funcionando adequadamente. Isso apenas é possível quando esse gestor possui um referencial, de modo que possa enxergar a distância entre o “atual” e o “desejável”. Como é possível saber que algo está errado se não existe um referencial do correto? Como saber se o desempenho está abaixo do esperado se não existe um referencial de desempenho? Como saber que a organização está longe do ideal se esse ideal não existe? De nada adianta uma pessoa ou uma equipe inteira empreender esforços para realizar uma mudança a menos que o responsável pela organização, aquele que detém a palavra final, seja capaz de enxergar a discrepância entre o “atual” e o “ideal”.

Essa é a grande questão que é dada como certa em todos os “manuais” que existem por aí, mas que na verdade é a causa que atravanca os esforços de mudança nas organizações, transformando todo o processo em uma tarefa de Sísifo.

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