O gerente que não sofria de negação

Negação? Claro que não! Eu não estou em negação!

Certas situações no cotidiano das organizações seriam cômicas se não fossem trágicas.

É preocupante, e às vezes hilário, observar como certos gestores não conseguem enxergar problemas que são óbvios para todos os demais profissionais da empresa, mas simplesmente não existem para o brilhante “patrão“.

O problema identificado pelos outros nunca existe, ou se existe é causado pelos outros, nunca por ele. A culpa é dos outros, e não dele; são os outros que erram, não ele;  o produto foi produzido de acordo com o especificado, foi o cliente que não soube explicar o que ele queria; o produto é de boa qualidade sim, o cliente é que é ignorante e não sabe utiliza-lo corretamente, e por aí vai. O brilhante gerente nunca está errado, afinal, como ele teria chegado onde está se estivesse errado? É claro que ele está certo! Como disse Sartre: “O inferno são os outros”.

Esse tipo de comportamento, de não aceitar que algo está errado simplesmente porque seria desagradável demais aceitar a situação, está associado entre outras coisas à um tipo de comportamento (por vezes considerado uma patologia) chamada “negação”.

A negação, identificada e estudada por Freud, é um mecanismo de defesa psicológico onde a pessoa simplesmente se recusa a perceber ou aceitar como verdade algo que é desagradável ou que prejudicaria a imagem que ela tem de si mesma.

Pessoas nessas condições, incluindo o brilhante chefinho, tendem a negar que uma dada situação exista, buscam minimizar a seriedade da situação (racionalização) caso reconheçam que ela exista, ou simplesmente transferem a culpa pela situação à terceiros.

Uma “manobra”  típica desse tipo de pessoa é inicialmente negar que um problema exista, após isso atacar a pessoa que trouxe o problema à sua atenção como sendo responsável por ele e então inverter os papéis de vítima e culpado.

O grande problema com a negação dentro das organizações é que, uma vez que o gerente não reconhece que o problema existe, ou então não reconhece sua seriedade ou parcela de culpa, ele nunca será realmente resolvido. Os demais profissionais da empresa até podem buscar soluções, recursos e alternativas para tratar a situação, mas sem o apoio ou aval do “patrão” para fazer o que efetivamente precisa ser feito, a organização estará fadada ao fracasso.

Problemas existem em todas as organizações, independentemente de seu tamanho, ramo de atuação ou tempo de mercado. Cabe aos seus responsáveis terem a sobriedade necessária para identificar o que está acontecendo, analisar as suas causas e empregar os recursos necessários para solucionar a situação.

“Nem todos os problemas que encaramos podem ser resolvidos, mas nenhum problema pode ser resolvido até que seja encarado.” (Baldwin)

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