Tão ignorante quanto o possa ser uma criatura humana

O trabalhador que sabe cada vez mais sobre cada vez menos

Atualmente diversas empresas estão buscando abandonar a visão mecanicista do homem-máquina/empresa-máquina e adotar uma visão mais abrangente, holística, no que diz respeito a seus negócios, funcionários, mercado, etc.

O “engraçado” é que Adam Smith já havia previsto em seu livro Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, vulgo A riqueza das nações, é que a ultra-especialização dos funcionários seria algo alienante e prejudicial tanto aos trabalhadores como às organizações. O engraçado é que ninguém parece ter prestado atenção a essa questão, algo compreensível se levarmos em conta que esse “aviso” está escondido lá para o fim da obra com mais de 1.200 páginas escrito há 237 anos atrás.

De qualquer forma vale a penar ver o que Adam tinha a dizer

O homem que gasta toda sua vida executando algumas operações simples, cujos efeitos também são, talvez, sempre os mesmos ou mais ou menos os mesmos, não tem nenhuma oportunidade para exercitar sua compreensão ou para exercer seu espírito iventivo no sentido de encontrar meios para eliminar dificuldades que nunca ocorrem. Ele perde naturalmente o hábito de fazer isso, tornando-se geralmente tão embotado e ignorante quanto o possa ser uma criatura humana. O entorpecimento de sua mente o torna não somente incapaz de saborear ou ter alguma participação em toda conversação racional, mas também de conceber algum sentimento generoso, nobre ou terno, e, conseqüentemente, de formar algum julgamento justo até mesmo acerca de muitas das obrigações normais da vida privada. Ele é totalmente incapaz de formar juízo sobre os grandes e vastos interesses de seus país; e, a menos que se tenha empreendido um esforço inaudito para transformá-lo, é igualmente incapaz de defender seu país na guerra. A uniformidade de sua vida estagnada naturalmente corrompe a coragem de seu espírito, fazendo-o olhar com horror a vida irregular, incerta e cheia de aventuras de um soldado. Esse tipo de vida corrompe até mesmo sua atividade corporal, tornando-o incapaz de utilizar sua força física com vigor e perseverança em alguma ocupação que não aquela para a qual foi criado. Assim, a habilidade que ele adquiriu em sua ocupação específica parece ter sido adquirida à custa de suas virtudes intelectuais, sociais e marciais.

Será que já não é a hora de repensar a sua organização?

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Um comentário sobre “Tão ignorante quanto o possa ser uma criatura humana

  1. Pingback: Até onde a divisão do trabalho faz sentido? | Luigui Moterani : repensando o fantástico mundo dos negócios

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