Paradoxos da organização empresarial

O trecho abaixo foi publicado no artigo “Organizações criativas” por Domenico de Masi na revista DOM.

  • A expectativa de vida é cada vez maior, mas o período de tempo que dedicamos ao trabalho é cada vez mais curto
  • As mulheres vivem mais que os homens, mas se aposentam antes
  • O rendimento do trabalho intelectual não depende do local e do número de horas, mas vamos todo dia trabalhar no mesmo local e ali permanecemos o maior tempo possível
  • A produção de idéias tem necessidade de autonomia e liberdade; no entanto, as empresas são cada vez mais burocráticas
  • Os executivos, para serem orientados para o mercado, devem conhecer bem o mundo a sua volta, mas eles ficam dentro do escritório o dia todo
  • Todos podem trabalhar um pouco menos. No entanto, os pais trabalham 12 horas por dia enquanto os filhos estão desempregados
  • A cada dia, diminui a diferença entre os conhecimentos dos chefes e dos subordinados, mas a diferença entre os salários é cada vez maior
  • A população está cada vez mais culta, tanto pela maior escolarização quanto pela mídia de massa e pela experiência direta, mas as empresas ainda oferecem trabalho que não requer inteligência
  • Existem todas as condições tecnológicas para introduzir o teletrabalho, que economizaria tempo e dinheiro e reduziria a poluição, mas a empresa cria raízes dentro de suas muralhas e exige a presença ali de todos os trabalhadores
  • Difunde-se cada vez mais o senso estético da vida, mas nas empresas se fazem coisas tediosas. Os próprios ambientes empresariais são assépticos, neutros, cinzentos
  • Desejamos que nossos colaboradores sejam pessoas maduras e adultas, porém, estimulamos atitudes e comportamentos serviçais e infantis
  • Invoca-se a importância da emotividade, mas as empresas expulsam emoções e sentimentos
  • As mulheres estudam hoje mais que os homens e, nas empresas, fazem uma carreira menor, não sobem os degraus
  • Aumenta a liberdade sexual em todas as sociedades industriais, mas as empresas são cada vez mais sexofóbicas
  • Continuamente, invocamos a solidariedade; enquanto as empresas incutem na cabeça dos funcionários a competitividade destrutiva