Os melhores livros sobre negócios de 2013

Os frequentadores assíduos do site já sabem da minha paixão por leitura – seja livros, revistas, jornais, artigos em sites – e em 2013 não foi diferente.

Como disse o Ricardo da Bizrevolution eu também “gasto mais dinheiro com livros do que com qualquer outra coisa”. Em média são 30 livros por ano, além de uma boa dose de revistas e diversos sites que acompanho diariamente.

Falando especificamente dos livros, meu critério para classificar um livro como excelente/bom/ruim é a quantidade de trechos que eu vou grifando enquanto leio. Como a maioria dos livros que leio há alguns anos são no formato digital, fica fácil gerenciar essa informação. O app do Kindle, por exemplo, tem um recurso muito bacana que permite você consultar apenas os trechos que grifou durante a leitura, fazer anotações, compartilhar essas informações e também ver quais os trechos do livro foram mais grifados pelos outros leitores, como também saber exatamente quantas pessoas acharam aquele trecho interessante (e talvez prestar mais atenção a ele).

Um outro recurso que acho muito bacana da plataforma da Amazon é a possibilidade de simplesmente devolver o livro se você não gostou dele. É extremamente simples e o reembolso é feito na hora, sem nenhum tipo de enrolação ou questionários querendo saber o porquê de você estar devolvendo o livro. Faço isso com frequência – se depois de 50 ou 100 páginas o livro simplesmente não me conquistou, ou se não consegui grifar nada, não encontrei nada de novo ou interessante, eu não penso duas vezes – acesso o painel da Amazon e clici “devolver para reembolso”.

Um outro hábito que tenho com relação à leitura é de fazer listas de livros que ainda quero ler. Eu utilizava bastante a opção “wish list” da Amazon (minha lista na Amazon deve ter uns 100 títulos atualmente) mas ultimamente passei a coletar essa informação no Evernote pois às vezes encontro um livro bacana em um outro site, ou então em uma livraria física e é um pouco trabalhoso acessar o site da Amazon, achar o livro e depois incluir na lista – simplesmente abro o app do Evernote e adiciono ele aos meus lembretes.

Sobre as revistas, esqueça as nacionais – Exame, PME, Você S/A, e outras do tipo – se você realmente quer aprender algo diferente, encontrar matérias relevantes e gastar pouco dinheiro leia as americanas. Não é para parecer esnobe, mas tudo o que sai de novidade sai primeiro em inglês. Além disso é muito mais barato assinar (ou comprar) a Inc. ou a FastCompany do que da Exame. Vai entender.

Atualmente tenho lido – e recomendo que você leia também – a Inc., FastCompany, Wired e Entrepreneur.

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E agora, fazendo justiça ao nome do post, vamos a lagunas indicações de livros!

  1. The Icarus Deception (Seth Godin) : recentemente postei a resenha do livro aqui no site, então não vou ficar repetindo os detalhes, apenas vou reforçar que vale muito ler esse livro! A pergunta que o autor quer plantar na sua cabeça é “Quão alto você vai voar?”. Não pense que é um livro cheio de besteiras de auto-ajuda. Ele mostra as mudanças que ocorreram no ambiente de trabalho recentemente e como os profissionais de hoje devem pensar e agir se quiserem ter sucesso. Leia a resenha que eu fiz aqui.
  2. The living company: growth, learning and longevity in business (Arie de Geus) : esse livro não é muito novo, mas trata de um assunto importante que é a capacidade das organizações aprenderem e se transformarem se quiserem continuar relevantes. O autor fala bastante sobre a mudança de uma sociedade baseada em capital para uma sociedade baseada em conhecimento, a necessidade das empresas aprenderem a “esquecer” e construir novos conhecimentos. Recomendo!
  3. Complexity leadership – Conceptual Foundations : um tema sobre o qual estudei bastante esse ano foi o tema “complexidade”. Há algum tempo vários autores vem alertando sobre essa mudança dentro das organizações e poucos estão ouvindo o que eles tem a dizer. Autores como Niels Pflaeging, Jurgen Appelo e Clemente Nóbrega tratam bastante sobre essas questões e eu sugiro que você comece a ouvir o que eles estão dizendo – se é que já não está ouvindo. Com relação ao livro ele é uma coletânea de diversos artigos que buscam compreender o papel da liderança dentro de um ambiente complexo. A leitura é um pouco pesada e eu apenas recomendo esse título se você já tem algum conhecimento sobre o assunto. Se não tiver, melhor começar por outros títulos mais básicos que vou recomendar abaixo.
  4. Leadership and the new science – discovering order in a chaotic world (Margaret Wheatley) : excelente livro para os iniciados no tema “complexidade”. É menos pesado que o título anterior mas mesmo assim é uma leitura que exige atenção. A autora analisa as principais mudanças na organização sobre a ótica da complexidade, o papel da cultura organizacional, modelos alternativos à visão homem-máquina/empresa-máquina. Escrevi bastante sobre ele em posts anteriores, veja aqui.
  5. What management is (Joan Magreta) : quer entender sobre gestão e já leu todos os livros do Drucker? Leia esse então. O livro é um curso básico sobre gestão, cobre assuntos como o que é gestão, inovação, métricas, execução, foco e todos os assuntos relevantes do dia a dia de qualquer negócio. Nada de muito novo, mas relevante e atemporal.
  6. Make your idea matter (Bernadette Jiwa) : não é exatamente um livro, é mais uma coletânea de pequenos artigos falando sobre marketing, relacionamento com clientes, empreendedorismo e outros assuntos relacionados. Leitura fácil e rápida, o tipo de livro para ler um capítulo todo dia pela manhã (ou noite) e refletir.
  7. How to Say It – Business to Business Selling (Geoffrey James) : excelente livro sobre vendas B2B, recomendo fortemente a leitura! O autor é colunista da Inc. Se você quer conhecer um pouco do conteúdo leia a coluna dele no site da revista e depois compre o livro.
  8. Agile Business – A Leader’s Guide to Harnessing Complexity (Bob Gower) : esse é o livro que eu indico se você quer começar a entender um pouco mais sobre complexidade. É uma coletânea de pequenos artigos falando sobre sistemas complexos, aplicação de métodos ágeis na gestão e outros assuntos relacionados. O livro foi escrito pelo pessoal da Rally Software, justamente aqueles que estão aplicando tudo aquilo que falam, pessoal que tem experiência sobre o que funciona ou não. Leia!
  9. The connected company (Dave Gray) : esse leva o título de “melhor dos melhores do ano”. Simplesmente fenomenal! Se você só conseguir ler um livro leia esse! O autor faz uma compilação sobre todos os assuntos que eu mencionei anteriormente nos outros livros. Mudança no mercado, mudança nas organizações, teoria da complexidade, transformações. Foi o livro que eu mais grifei, tuitei, compartilhei, etc. Leia, leia, leia!!!!
  10. The Art of Non-Conformity  (Chris Guillebeau) : livro bacana do mesmo autor do “The $100 Startup”. Na linha do “The Icarus Deception” fala sobre como fugir do mundo corporativo e realmente criar algo que faça sentido, que faça a diferença. Da pra ler em apenas uma sentada.

E você? O que leu de bacana esse ano? O que achou da lista? Já leu alguma coisa? Comente!

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Era uma vez…

Era uma vez...

*o trecho abaixo foi extraído e adaptado do livro “The story factor: inspiration, influence, and persuasion through the art of storytelling” de Annette Simmons

“As pessoas não precisam de mais informação, elas já estão lotadas de informação. Elas querem acreditar – acreditar em você, em seus objetivos, seu sucesso, na história que você tem para contar. Se uma imagem vale mais que mil palavras então uma história vale mais que mil argumentos.

De uma forma geral gostamos de tomar decisões por nós mesmos. Uma vez que leva tempo construir uma relação de confiança baseada em experiência, o melhor que se pode fazer é contar uma história que leve os ouvintes a concluir que vale a pena confiar naquilo que você está dizendo.

Antes de se deixarem serem influenciadas as pessoas precisam saber “Quem é você?” e  “O que você quer?”. Se você não tiver tempo para dar uma resposta positiva a essas questões, elas vão criar respostas por si mesmas – geralmente respostas negativas. É da natureza humana esperar que qualquer um que tente influenciar os outros está tentando ganhar alguma coisa. A maioria das pessoas acredita de forma subconsciente que quando um ganha o outro perde. É da natureza humana.Instintivamente construímos barreiras e levantamos suspeitas para proteger nós mesmos.

Sendo assim, você precisa contar uma história que demonstra que você é alguém em quem se pode confiar. Se você demonstrar quem você é ao invés de dizer quem você é, fica muito mais fácil estabelecer uma relação de confiança. Uma história permite exatamente isso: demonstrar crenças, idéias e objetivos.”

Já conseguiu decidir?

Lever

É assim que se toma uma decisão!

Uma das tarefas mais rotineiras de uma pessoa dentro de qualquer organização é a tomada de decisão. Estudos estimam que uma pessoa precisa tomar, em média, de 20 a 30 decisões todos os dias ao mesmo tempo em que está sujeita a dezenas de viéses cognitivos (distorções de julgamento e percepção) que só servem para complicar ainda mais as coisas

A tomada de decisão é um processo cansativo e que acaba levando muitas pessoas à exaustão por não ser administrado corretamente. Toda vez que alguém precisa tomar uma decisão ela precisa, ainda que inconscientemente, dedicar energia, alocar tempo, analisar as alternativas à sua disposição, estimar as consequências e os riscos associados a cada uma delas e, após a decisão ter sido tomada, analisar se o resultado foi o esperado, tomar alguma medida corretiva ou então simplesmente aceitar os resultados alcançados (ainda que não forem os desejados).

Uma maneira de facilitar a tomada de decisões é definir critérios antes de iniciar todo esse processo, de forma que as coisas aconteçam de modo quase que “automático”.

Grande parte das pessoas se confundem e acabam utilizando os critérios a posteriori, mais como uma explicação daquilo que já foi definido, uma espécie de racionalização, uma forma de tentar explicar porque fizeram determinada escolha, quando na verdade os critérios deveriam ser o primeiro passo rumo à decisão.

Um critério deve ser entendido como um ponto inicial, um conjunto de regras para facilitar o trabalho. Não existem critérios “certos” ou “errados”. Alguns critérios podem se mostrar mais adequados, ou não, após a tomada de decisão, sendo que isso deve ser encarado como um processo, aprimorado todas as vezes em que algo não sair conforme esperado.

Uma metáfora muito útil na hora de pensar em critérios para a tomada de decisão é enxerga-los como uma “base” ou um “fundamento” a serem utilizados para facilitar a tarefa. Um critério pode ser visto como um “ponto de apoio” igual àquele presente em um sistema de alavancas.

Se você prestou atenção nas aulas de física do colégio deve se lembrar que o ponto de apoio em um sistema de alavanca serve para multiplicar a força aplicada a um outro objeto que impõe resistência. O critério é exatamente esse ponto de apoio, que multiplica seus recursos (força) na tomada de decisão (objeto que opõe resistência) facilitando o trabalho.

Arquimedes supostamente disse “Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo”. Pois bem, você pode até não precisar mover o mundo, mas pode facilitar muito a sua vida ao se lembrar dessa parábola.

Controle e ordem são coisas completamente diferentes

*trecho extraído e adaptado do livro “Leadership and the new science: Discovering order in a chaotic world” de Margaret Wheatley

Todo esse tempo criamos problemas em nossas organizações ao confundir controle com ordem. Não é surpresa, dada a sua história, que o conceito de liderança tenha sido descrito como controle. Lênin falou por muitos líderes quando ele disse que “liberdade é bom, mas controle é ainda melhor”. E nossa busca por controle tem sido tão destrutiva quanto foi a dele.

Se encaramos as pessoas como sendo máquinas, exercer controle faz sentido, mas se entendemos que todos vivemos sob a mesma dinâmica, impor controle através de estruturas rígidas é suicídio.

Você já verificou suas premissas hoje?

ImagemOrganizações surgem e são gerenciadas com base em premissas, que nada mais são que suposições que ela faz com relação a diversos assuntos presentes no cotidiano empresarial, entre elas, a de que seu produto é desejado pelo mercado, quais características o produto deve ter, qual deve ser o preço do produto, como ele deve ser comercializado, como deve ser entregue, como deve ser o pós-venda, como seus funcionários devem ser contratados, treinados, remunerados, promovidos e uma infinidade de outras questões. 

Uma premissa nada mais é que o ponto inicial a partir do qual, após ter se mostrado válida, é possível construir um raciocínio mais elaborado, uma teoria que permita à organização ter uma compreensão mais detalhada do mercado onde atua e da forma como ela deve ser gerenciada. O problema é que grande parte das organizações tratam suas premissas como sendo algo que deve ser protegido com unhas e dentes, verdades absolutas, irrefutáveis e inquestionáveis.

As premissas sobre as quais uma organização constrói seu modelo de negócio tem um prazo de validade muito curto, especialmente no contexto atual, e se a organização tem planos de sobreviver no logo prazo ela precisa estar disposta a questionar suas suposições periodicamente, examinar se elas realmente fazem sentido, descartar aquilo que se mostrou falho, criar novas hipóteses, testá-las e repetir todo o ciclo novamente e incansavelmente.

Aquelas organizações que falham em fazer isso muitas vezes se deparam com paradoxos, contradições que fazem com que ela não obtenha os resultados que espera, ou então os obtenha a um custo muito elevado, tudo isso porque elas estão operando sobre premissas que já não são mais válidas, premissas de um mundo que não existe mais.

Para essas organizações fica um recado dado por Ayn Rand em sua obra prima “A revolta de Atlas” de 1957 :

“Contradições não existem. Quando você pensar que encontrou uma contradição, verifique suas premissas, um dos dois certamente está errado.”

Uma marca é uma promessa (e uma promessa é uma dívida)

É assim que você faz promessas para seus clientes?

É assim que você faz promessas para seus clientes?

Uma marca nada mais é que uma promessa, uma promessa de qualidade, durabilidade, valor, preço, eficiência, desempenho, exclusividade, status ou qualquer outra das mais variadas dimensões que uma marca pode comunicar.

Toda vez que uma marca conversa e interage com seu mercado ela busca reforçar essas promessas, lembrar as pessoas das razões pelas quais ela merece atenção, convencer aqueles que ainda não são clientes a se converterem em clientes e reforçar naqueles que já são clientes os valores que ela defende e propaga.

O grande problema acontece quando o discurso é incoerente com a sua prática, ou seja, a marca diz que é algo mas na verdade não é, ou no pior dos casos, é totalmente o oposto daquilo que diz ser.

Uma marca se mostra incoerente, por exemplo, quando diz que valoriza seus clientes mas não se dá ao trabalho de responder um email ou fornecer um telefone de contato que realmente funcione; quando diz que seus produtos possuem grande durabilidade e resistência mas quando postos à prova não respondem à altura do desafio; ou até mesmo quando diz que quer ouvir a opinião das pessoas mas sequer faz algo a respeito quando há uma reclamação.

Todas essas “pequenas” incoerências vão se acumulando ao longo do tempo e acabam por minar a marca e até mesmo toda uma organização, colocando por terra todos os esforços que a empresa venha a empreender para fidelizar clientes, aumentar suas vendas, reter funcionários e por fim garantir sua sobrevivência.

Como forma resolver esse problema eu proponho duas soluções extremamente simples – e por simples eu quero dizer que são fáceis de serem compreendidas mas que exigem muito trabalho.

Para as empresas com visão de curto prazo eu sugiro que simplesmente não prometam mais nada, não criem expectativa nenhuma, não digam que vão fazer algo pelos clientes, não digam que o produto é algo que não é, simplesmente reduzam a comunicação e as ações ao mínimo denominador comum, ao mínimo aceitável. Forneçam apenas produtos, serviços e atendimento que estejam dentro da média (palavra que está diretamente ligada à mediocridade, mediano, sem expressão ou originalidade, banal). Afinal de contas, para que ter o trabalho de cumprir aquilo que foi prometido? Se as pessoas não esperam nada, tudo aquilo que for entregue será mais do que o esperado.

Para as empresas de verdade, aquelas com visão de longo prazo, comprometidas em criar valor eu sugiro não apenas que cumpram aquilo que prometem, mas que também estejam constantemente buscando saber se aquilo que foi combinado realmente aconteceu. Comuniquem constantemente aos clientes e funcionários o seu padrão de excelência,  qualidade, atendimento, prazos, políticas, preço, valor e estejam sempre abertos a receberem uma opinião sincera à respeito do que aconteceu (ou deveria ter acontecido). Ouça e corrija os pontos que não estão à altura daquilo que foi prometido, não tente arranjar desculpas ou explicações. Esteja constantemente elevando seu patamar de excelência – é muito simples mas dá trabalho e é justamente por isso que as poucas empresas que se dedicam a isso acabam por se destacar.