A organização que poderia ter sido, mas não foi

Acredito firmemente que, assim como os seres humanos, as empresas possuem períodos ao longo de sua vida nos quais precisam obrigatoriamente desenvolver certas habilidades sob o risco de se tornarem disfuncionais no futuro caso não o façam.

No livro “O que nos faz humanos” o autor Matt Ridley relata diversas experiências sobre o desenvolvimento humano, demonstrando que muitas habilidades nunca poderão ser alcançadas caso não sejam despertadas no momento correto. Uma pessoa, ainda que perfeitamente capaz, se mantida em isolamento durante os anos em que deveria adquirir a habilidade da fala nunca mais aprenderá a se comunicar corretamente (formar um vocabulário, organizar as informações de maneira lógica, verbalizar as palavras) mesmo se tentarmos ensiná-la depois de adulta.

Outro exemplo citado no livro demonstra que até mesmo sentidos como a visão, se mantidos “adormecidos” durante o período em que deveriam ser inicialmente utilizados jamais se tornarão funcionais, mesmo que todos os componentes envolvidos (córnea, retina, cristalino, nervo óptico) estejam presentes e em perfeito estado.

Resumidamente tudo isso acontece porque o cérebro não desenvolveu no momento correto a habilidade de interpretar as informações recebidas do mundo exterior de forma que elas nada significam. Fazendo uma analogia, esperar que o cérebro seja capaz de interpretar uma informação sem que a habilidade tenha sido desenvolvida anteriormente seria o mesmo que você tentar construir um alicerce depois que a parede já foi erguida. Se você tentar fazer isso a casa vai cair (literalmente).

Curiosamente essas questões também podem ser observadas no cotidiano das empresas. Assim como um ser vivo a organização também possui um ciclo de vida (nascimento, desenvolvimento, maturidade e eventual morte) e também precisa desenvolver diversas habilidades em determinados momentos ao longo dessa vida.

Observo diariamente que a grande maioria dos problemas encontrados nas organizações são decorrentes da ausência dessas habilidades e que por maior que seja o esforço dos envolvidos a empresa nunca será capaz de parar de tratar os efeitos e não as causas da questão.

Eventualmente a organização até possui rudimentos da habilidade necessária para seu sucesso, porém, como o próprio termo deixa claro, são capacidades superficiais, incompletas, toscas, insuficientes para fazer com que ela possa agir efetivamente sobre as dificuldades que enfrenta.

O mais preocupante é que tais organizações dificilmente conseguirão fazer algo a respeito disso pois na maioria das vezes são ignorantes com relação a sua incompetência. Tais organizações, bem como as pessoas que a compõem, quase sempre demonstram uma postura arrogante, alheias às suas deficiências e àqueles que buscam apontar suas falhas, de modo que estão fadadas a viver indefinidamente de modo provinciano.

Seja você um empresário ou um profissional, fique atento aos sintomas. Quanto antes for feito o diagnóstico de uma organização com essas características maiores são as chances de que ela seja tratada a tempo e possa viver de maneira plena.

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